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Futebol Internacional

  FUTEBOL INTERNACIONAL      Já lá vai o tempo em que, a bela ideia de trégua dos Jogos Olímpicos da Antiga Grécia, fazia suspender todos os conflitos entre nações durante a realização da competição. Já lá vai o tempo em que o triunfo nas provas desportivas era apenas compensado com um prémio simbólico – a coroa de folhas de oliveira – e a admiração dos gregos.    O Campeonato Europeu de Futebol, tal como outras competições desportivas internacionais, que deviam ser um acontecimento desportivo saudável e portador de humanismo, não passam de um acicatar de ódios entre povos. Vejam-se as caras façanhudas com os olhos a faiscar fúria, com que se defrontam os jogadores em campo, tal como as dos próprios dirigentes, instalados nos seus postos de observação vociferando impropérios. É um espetáculo deprimente, quando todo ele devia refletir alegria e fraternidade em ambos os campos da competição. Os laivos de xenofobia que extravasam dessa competição vão con...

As incursões nefastas de um javali

  As incursões nefastas de um javali    Não é normal que um javali, cujo habitat são os bosques de abundante vegetação, se aventure a entrar dentro de aglomerados populacionais, mas o meu quintal, em plena vila, tem sido escolhido pelo bicho para as suas incursões noturnas, tendo provocado avultados estragos nas culturas ali existentes.    Vem pela calada da noite, trepa um muro de pedra com mais de um metro de altura, atravessa um quintal inculto de um vizinho e invade todo espaço cultivado da minha horta. Chegado aí, procura os melhores acepipes da sua dieta, vira todos os vasos que encontra pelo caminho à procura de minhocas e de outros pequenos animais que se escondem por baixo, depois de remexer o interior dos vasos para devorar bolbos e tubérculos. Assim, já cometeu a bonita proeza de comer toda a plantação de alho francês e todos os pseudotubérculos de orquídeas silvestres contidos numa trintena de vasos. Entretanto, na sua desvairada procura de alim...

As Lojas de Comércio Misto

  As Lojas de Comércio Misto     Em meados do século XX funcionavam em simultâneo na vila de Oleiros seis lojas de comércio misto. Eram estabelecimentos comerciais, em geral de gestão familiar, mas também os havia com empregados contratados, cujo número nunca ia além de um funcionário.    Nestas lojas vendia-se quase tudo o que os habitantes da terra necessitavam no seu dia a dia: produtos alimentares, doçaria, tecidos, roupa confecionada, calçado, artigos de drogaria e de papelaria, loiça e outros utensílios domésticos, bijuterias, ferragens, vidros, e até materiais de construção. O interior destas lojas estava repleto de produtos para venda distribuídos por estantes que ocupavam todas as paredes e por todos os espaços disponíveis no chão. Até no teto se pendurava toda a sorte de mercadoria, não havendo qualquer critério na arrumação dos produtos. Assim, ao lado de uma bruxa de barro pendurada num prego, podia ver-se um penico, uma panela, ou um par de chin...

Almoço-convívio

  ALMOÇO-CONVÍVIO    Como vem sendo hábito, realizou-se no dia 18 de junho de 2024, um almoço-convívio para remate das atividades da disciplina de Música, do ano letivo 2023/2024, da Academia Sénior de Oleiros.    Pela primeira vez o evento teve lugar num restaurante, ao contrário dos anos anteriores, em que se optava por um lanche partilhado no local dos ensaios. Esta última opção tinha a vantagem de aproximar mais os participantes, para além da abundância e variedade de pitéus com que cada um se fazia acompanhar, como se fosse uma saudável competição gastronómica.    Este ano, porém, alguém se lembrou da opção restaurante, cuja única vantagem é a de libertar os participantes dos trabalhos de preparação das diferentes iguarias. Mas, com esta alternativa perdeu-se a mobilidade e alguma proximidade dos elementos do coro e dos seus dirigentes, distribuídos no restaurante por lugares fixos. Por outro lado, a quantidade exígua de comida no prato, ape...

Qualidade Pantagruélica

  Qualidade Pantagruélica    Abriu recentemente em Oleiros, na Alverca, um novo restaurante, dirigido pela Albertina, num local anteriormente conhecido por “bar do Calado”.    Este blogue não tem por vocação anunciar a abertura de estabelecimentos comerciais, nem tecer considerações sobre o seu funcionamento. Todavia a presente notícia não deixa de se inserir nos seus objetivos, em conformidade com a informação dada neste espaço digital aquando da sua criação, há cerca de um ano.    O salão destinado às refeições da nova unidade de restauração ocupa um vasto espaço com uma decoração sóbria e discreta, mas inteligente, num ambiente convidativo ao deleite gastronómico. É de salientar também a excelente qualidade alimentar, bem como o serviço eficiente e simpático, como pude constatar num evento ali ocorrido, no qual participei, pelo que tenho de dar os parabéns à proprietária do restaurante, recomendando esta casa aos mais exigentes clientes pantag...

Vaidade linguística

  Vaidade linguística   Abriram recentemente na vila de Oleiros dois novos estabelecimentos comerciais, batizados pelos seus proprietários com palavras da língua inglesa. Será que os seus donos não gostam da língua de Camões? Falamos uma língua com 800 anos de história, que não nos envergonha e ombreia com as línguas mais faladas no mundo. Ou será que os seus donos estão à espera de clientela de países anglo-saxónicos? Mas não consta que essa gente passe por esta “terra altaneira”. Portanto, tal atitude só tem uma explicação: pedantismo tosco e vaidade linguística.    Parece que é agora moda usar termos estrangeiros, como se a bela língua portuguesa – “última flor do Lácio” - não tivesse no seu vasto vocabulário os termos necessários para expressar as mais variadas nuances do pensamento humano. É uma língua suficientemente rica, sem ter necessidade de recorrer ao vocabulário estrangeiro. Claro que há termos técnicos relacionados com inovações científicas, que ain...

Picotas, Rodas e Noras

  Picotas, Rodas e Noras    No tempo em que ainda não havia rede pública de eletricidade em Oleiros, a elevação de água dos numerosos poços existentes na vila e arredores, com vista à irrigação de hortas e quintais, fazia-se com recurso à força muscular de animais e até do próprio homem.    A engenhoca milenar, conhecido em Oleiros por picota (também designada por cegonha noutras terras), era a mais simples e rudimentar técnica de elevação de água. Era constituída por uma longa vara de pinheiro ou eucalipto, e tinha um eixo mais ou menos a meio do seu comprimento, em torno do qual basculava, apoiando-se no topo de uma coluna de pedra ou de madeira. Numa das pontas desta vara aplicava-se uma ou mais pedras, suficientemente pesadas, para servirem de contrapeso ao equilibrar um balde cheio de água dependurado da ponta de uma outra vara mais delgada suspensa da vara principal, na extremidade oposta à das pedras. O balde era descido para ser mergulhado na água ...

Passeio da Academia Sénior de Oleiros

      De forma imprevista, a Direção da Academia Sénior de Oleiros, decidiu organizar, no dia 20 de dezembro de 2023, um passeio cultural contemplando todos os inscritos na Academia. A decisão foi inesperada porque não correspondia a nenhum dos objetivos que habitualmente norteiam estas iniciativas: encerramento das atividades académicas no final do ano letivo, ou forma de complementar matéria lecionada em determinada disciplina. Por outro lado, a decisão foi tomada e anunciada num curto espaço de tempo, pelo que muitos alunos não puderam participar no evento, por terem já programado as suas vidas pessoais noutro sentido, com a agravante de o passeio se realizar na semana anterior ao Natal, altura em que algumas famílias têm a vida mais ocupada ou se deslocam para outros lugares para festejar a época natalícia.    O passeio destinava-se a visitar o Museu do Trabalho Michel Giacometti, em Setúbal, e o Museu da Música Mecânica, em Pinhal Novo, tendo sido anuncia...

Dia do Idoso

  Dia do Idoso        No dia 5 de outubro de 2023 celebrou-se em Oleiros o Dia do Idoso, que reuniu no pavilhão Multiusos cerca de 900 idosos de todo o concelho. À semelhança de anos anteriores, a principal ação das celebrações centrou-se num monumental almoço coletivo oferecido pelo Município.      Antes de servir o repasto realizou-se no mesmo local uma missa presidida pelo padre Luís. Esta ideia de introduzir no programa uma missa é algo estranha. É caso para perguntar “por alma de quem?” Nem sequer era um domingo ou dia de qualquer festividade religiosa. Ademais, o local e o ambiente não reuniam as condições ideais para um ato litúrgico. As pessoas que quiseram assistir à missa estavam já ajeitadas nas mesas em que iriam almoçar e nem sequer respeitavam o silêncio que aquele ato de culto exigia, como também o não respeitavam os mirones que por ali cirandavam à espera do almoço. Havia no ar um bruaá nada condizente com aquele ato religioso...

O Miradouro de Siza Vieira

  O Miradouro de Siza Vieira      Ora aí está, mais uma descomunal inutilidade parida pela edilidade municipal. Não bastavam os passadiços do Orvalho, aquele inestético amontoado de tábuas e barrotes, vem agora esta monstruosidade intrometer-se no belo cenário da serra do Moradal. É mais uma “ecoparolice” irresponsável, que nada vem adiantar à beleza da serra, antes pelo contrário: este monstro de betão armado só vem desfigurar a paisagem. A Natureza é bela em si, não precisa de apêndices. Será difícil perceber isto?    Na publicação “Oleiros Magazine” de agosto de 2023 sublinha-se o facto de apresentar “uma vista panorâmica de 360º sobre o vale do Zêzere”. É propaganda falsa, visto que o rio corre a uma distância considerável do miradouro, e as suas margens escondem-se atrás dos montes envolventes. O admirável vale que se estende lá no fundo, esse sim, visível, é atravessado pela ribeira da Zebreira. Quanto à visão panorâmica, o miradouro em nada a v...

Descaminhos

  DESCAMINHOS        Um povo sem memória é um povo sem história. Um povo que não preserva o seu passado conservando documentos e monumentos não entra na História.    Oleiros tem uma história quase milenar como o atesta um documento datado de 1194, relacionado com a Ordem de Malta, onde o seu nome é citado de forma inequívoca. Todavia, os testemunhos do passado, sejam eles objetos palpáveis ou documentos escritos, são muito escassos, porque nunca houve a preocupação de os conservar, ou se, em casos pontuais, existiu algum interesse, acabaram por se perder sem deixar rasto. Ainda hoje não existe essa preocupação, salvo raríssimas exceções. Aliadas a uma deplorável ignorância, tem havido ao longo dos tempos uma certa incúria e desinteresse pela preservação de documentos que possam refazer o passado e perceber o que tem sido o povo desta terra.    Ao longo da história recente de Oleiros, são muitos os exemplos de desleixo e indiferença, por...

A "Cerâmica" de Oleiros

  A “CERÂMICA” DE OLEIROS Os recursos naturais e a geologia de uma região determinam muitas vezes o aparecimento de uma atividade específica local. Em Oleiros aqueles recursos não são uma riqueza por aí além. Também os xistos e grauvaques que caraterizam a geologia da região não prenunciam qualquer atividade digna de nota. Ainda assim, nos anos 50 do século passado, alguém se lembrou que os afloramentos de argila localizados à volta da vila poderiam ser a base de uma indústria de cerâmica. Não há registos históricos de que alguma vez se tenha aproveitado aquela matéria prima para fins industriais, pese, embora, a etimologia do topónimo “Oleiros”, que alguns julgam assentar num ancestral fabrico de loiça de barro, mas sem bases históricas seguras. A teoria mais consensual é a de que aquele topónimo deriva do étimo “olleiros” com o significado de “olhos de água” numa clara alusão às abundantes nascentes de água existentes na região. Todavia, esta teoria carece de fundamento cie...

As tabernas de outros tempos

  As tabernas de outros tempos      Em meados do século passado as tabernas proliferavam em Oleiros, dando à vila um certo colorido e animação. Eram pontos de encontro e de convívio, locais onde os homens passavam os seus momentos de lazer num tempo em que ainda não havia televisão nem polos de atração, culturais ou recreativos ou, pelo menos, os que existiam eram incipientes.    Tudo era pretexto para ir à taberna beber um copo. Convidavam-se os amigos e não se recusava a companhia de quem estivesse por perto. Beberricava-se ou bebia-se o copo de uma assentada para, desse modo, afirmar uma certa personalidade que, neste caso, era sinónimo de valentia. Para situações de maior privacidade havia quase sempre um compartimento mais recatado e discreto, o “escondidinho”. A “cova funda” era também um local reservado e só a ele tinham acesso os mais próximos do taberneiro. Em geral, era neste espaço que se guardavam as pipas de maior envergadura e era delas ...

A Levada da Casa Grande

  A Levada da Casa Grande    Tempos houve, num passado recente, em que ter uma horta em Oleiros era necessidade imperativa para qualquer família da vila. Nessa altura ainda não havia supermercados nem lojas onde hoje qualquer pessoa tem ao seu alcance toda a espécie de hortaliças e de legumes de que necessita no seu dia a dia. Além das pessoas que viviam da agricultura como forma de trabalho, também os funcionários públicos, naturais da terra ou oriundos de fora, nos quais se incluíam os elementos da GNR de serviço em Oleiros, precisavam de um pedaço de terra para “hortelar”. Tal necessidade resolveu-se, em parte, com a criação de pequenas hortas ao longo de uma conduta de água, que a Casa Grande construiu no início do século XIX com o objetivo de irrigar os seus extensos milheirais situados nas proximidades da vila. Em simultâneo, a energia hídrica do caudal foi aproveitada para alimentar dois moinhos de cereais, junto da Fonte das Freiras, na fase final do seu traje...

A Ribeira de Oleiros

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  A Ribeira de Oleiros      A ribeira que banha a vila de Oleiros e lhe dá vida, recebe três nomes diferentes ao longo do seu percurso. É “Ribeira de Perobeques” no Estreito, onde nasce, “Ribeira de Oleiros” ao passar pela vila e “Ribeira da Sertã” quando desagua no rio Zêzere. Não é caso único, pois ocorrem situações semelhantes em Portugal com outros cursos de água.    Curioso é o topónimo da nascente, cuja etimologia tem origem em “Pedro Vasques” nome de um ancestral proprietário do terreno onde começa a ribeira e que veio a dar o termo bizarro de “Perobeques”, corruptela do seu nome inicial. Mais bizarro ainda é o topónimo que figura na carta militar nº 266, de 1946 (ainda em uso), o qual é grafado como “Ribeira de Perbex”, para designar o curso de água em questão, em que a letra “x” deverá ser pronunciada [ks] (à semelhança do “x” da palavra índex) . Facilmente se deduz que o cartógrafo militar de serviço, ao indagar o nome daquele riacho, junto ...