Hino "Vila de Oleiros"
Por que não gosto da letra do hino “Vila de Oleiros”
Sempre que há um acontecimento musical em Oleiros com a participação do público, é certo e sabido que vai ressoar o estafado hino “Vila de Oleiros”, com música do compositor Valdemar Sequeira.
A música é festiva e de uma sonoridade agradável, mas a letra, oh senhores, é de abater o espírito.
Não me atrevo a transcrever todo o poema, ao longo do qual se
assiste a um constante louvor da pobreza, como se esta fosse uma coisa honrosa
e meritória. Bastam alguns excertos para ilustrar o despropósito daquela letra,
senão vejamos.
“Auxiliar a
pobreza / Q’anda errante pelos caminhos”
Trata-se de uma realidade do tempo do Estado Novo, altura em que
o poema foi criado, e de acordo com a política de então, mas ultrapassada nos
tempos atuais no que concerne à errância.
“São sobras da
tua mesa (…) Que vais dar aos pobrezinhos”
Não é prestigiante dar a alguém o que sobra da mesa. Seria
louvável, isso sim, partilhar o que está sobre a mesa, mesmo com quem anda a
mendigar. E o desrespeito é tão evidente, que alguém corrigiu o despautério
escrevendo na versão atual “obras”, em vez de “sobras”, apesar de a alteração
ser um tanto forçada. Por outro lado, o
termo “pobrezinhos” reflete claramente a “caridadezinha” própria da época, que
já não tem cabimento nos nossos dias.
“(…) Há de
acender o braseiro / Das almas a mendigar.
Pela terceira vez se faz referência à pobreza, agora sob a
expressão “almas a mendigar”, em que se evidencia a religiosidade dos mendigos.
Por tudo isto não posso aceitar tal letra. Já a linguagem
musical é outra coisa. Essa até a acho bonita e sou capaz de bater palmas, como fazem todos os oleirenses quando tocada instrumentalmente.
Já vai sendo tempo de dar nova expressão ao hino de Oleiros. A
música de Valdemar Sequeira merece poesia digna.
Concordo plenamente!...
ResponderEliminarSe calhar o hino nacional também deveria ser alterado.
ResponderEliminarSem dúvida! Existem mesmo setores políticos que defendem essa ideia, todavia não será tarefa fácil, já que qualquer tentativa de alteração terá de enfrentar brios patrióticos acérrimos. Qualquer alteração do poema do Hino Nacional não será caso inédito se pensarmos que a Rússia atual adotou a música do hino da União Soviética, alterando apenas a letra. Não será exatamente a mesma situação, mas semelhanças não lhe faltam.
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