Hino "Vila de Oleiros"
Por que não gosto da letra do hino “Vila de Oleiros”
Sempre que há um acontecimento musical em Oleiros com a participação do público, é certo e sabido que vai ressoar o estafado hino “Vila de Oleiros”, com música do compositor Valdemar Sequeira.
A música é festiva e de uma sonoridade agradável, mas a letra, ó
senhores, é de abater o espírito.
Não me atrevo a transcrever todo o poema, ao longo do qual se
assiste a um constante louvor da pobreza, como se esta fosse uma coisa honrosa
e meritória. Bastam alguns excertos para ilustrar o despropósito daquela letra,
senão vejamos.
“Auxiliar a
pobreza / Q’anda errante pelos caminhos”
Trata-se de uma realidade do tempo do Estado Novo, altura em que
o poema foi criado, em sintonia com a política de então, mas ultrapassada nos
tempos atuais no que concerne à errância.
“São sobras da
tua mesa (…) Que vais dar aos pobrezinhos”
Não é prestigiante dar a alguém o que sobra da mesa. Seria
louvável, isso sim, partilhar o que está sobre a mesa, mesmo com quem anda a
mendigar. E o desrespeito é tão evidente, que alguém corrigiu o despautério
escrevendo na versão atual “obras”, em vez de “sobras”, apesar de a alteração
ser um tanto forçada. Por outro lado, o
termo “pobrezinhos” reflete claramente a “caridadezinha” própria da época, que
já não tem cabimento nos nossos dias.
“(…) Há de
acender o braseiro / Das almas a mendigar.
Pela terceira vez se faz referência à pobreza, agora sob a
expressão “almas a mendigar”, em que se evidencia a religiosidade dos mendigos.
Por tudo isto não posso aceitar tal letra. Já a linguagem
musical é outra coisa. Essa até a acho bonita e sou capaz de bater palmas
quando tocada instrumentalmente, como fazem todos os oleirenses.
Já vai sendo tempo de dar nova expressão ao hino de Oleiros. A
música de Valdemar Sequeira merece poesia digna.
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