Festival de Folclore em Oleiros

 

Festival de Folclore em Oleiros

Pela quarta vez consecutiva teve lugar em Oleiros um espetáculo de folclore com a participação de grupos estrangeiros. Trata-se de uma iniciativa do Rancho Folclórico e Recreativo Clube Bonjardim, que tem realizado em várias localidades da zona do pinhal interior um evento designado por “Festival de Folclore do Mundo”.

Este ano, em Oleiros, teve a participação do Rancho Folclórico e Recreativo Clube Bonjardim, do Rancho Folclórico e Etnográfico de Oleiros, do Grupo de Danças e Cantares Etnográfico do Orvalho, e de grupos de dança da Colômbia, Hungria, Geórgia e Brasil.

Os grupos de dança nacionais, procurando recordar e transmitir os usos e costumes, danças e cantares do passado, apresentavam-se com as suas vestimentas pardacentas, refletindo desse modo uma época em que a abastança económica era arrediça, contrastando com a garridice e exuberância dos grupos estrangeiros, que davam primazia à espetacularidade em palco, porventura em detrimento, nalguns casos, da autenticidade das suas danças.

Os três ranchos folclóricos nacionais empenharam-se em mostrar o que sabem fazer dançando, sendo de salientar o seu esforço em reconstituir o passado das suas gentes.

A delegação da Colômbia apresentou-se com dois grupos distintos: o primeiro, muito esfuziante, exibiu-se com trajes muito vistosos, rodopiando ao som de ruidosos instrumentos populares de percussão e de forte vozearia dos elementos masculinos; o segundo grupo com caraterísticas circenses, em trajes reduzidos, apresentou alguns números de dança, primando pela destreza, habilidade e sincronismo, fugindo um pouco ao tema do festival – o folclore – mas, pelo menos serviu para introduzir alguma variação repousante ao espetáculo.

O grupo da Hungria com trajes tradicionais muito requintados deliciou a assistência com as suas danças populares ao som de instrumentos de corda (violino e contrabaixo). As suas indumentárias e danças graciosas refletiam o elevado nível cultural daquele país da Europa Central.

A representação da Geórgia com danças marciais, interpretadas por elementos masculinos, fizeram lembrar as lutas do passado para salvar a independência georgiana naquela região montanhosa do Cáucaso. Já os elementos femininos brindaram a assistência com um gracioso bailado, num suavíssimo deslizar de corpos em vestes cor-de-rosa, numa coreografia muito bem conseguida. O rigor e a harmonia coreográfica trouxeram-nos algumas reminiscências da era soviética, em que tudo era pensado e trabalhado ao pormenor.

O Brasil esteve representado por jovens brasileiros e brasileiras do Mato Grosso, numa atuação muito dinâmica e colorida, como só os brasileiros sabem fazer, ao som de cantares e de instrumentos de percussão.

Foi um espetáculo multicultural com o sugestivo nome “Raízes Folk Fest”, que levou ao largo da Devesa alegria, colorido e cultura. A sua apresentação esteve a cargo de uma locutora profissional com uma dicção perfeita, atenta a todos os pormenores decorrentes de um espetáculo desta natureza.

A plateia estava composta, mas era de esperar uma maior afluência de público, atendendo à publicidade que foi feita através de apelativos cartazes e à qualidade de edições anteriores, que fica sempre na memória dos espectadores. Uma vez mais se prova que os oleirenses não são muito recetivos às coisas da cultura.

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