Esperanto

 

Esperanto

Há 139 anos um poliglota polaco teve a ideia de apresentar publicamente um idioma com base nas principais línguas faladas no mundo, aproveitando o que nelas havia de vantajoso, rejeitando o que nelas era dispensável e introduzindo elementos de outras línguas, projeto a que mais tarde se deu o nome de Esperanto. Surgiu assim um idioma com caraterísticas novas, ótimo para ser utilizado nas relações internacionais: neutral, lógico, simples, de sonoridade agradável e com a necessária flexibilidade para exprimir todas as subtilezas do pensamento humano. Trata-se, pois, de um idioma planeado, mas acabou por evoluir como qualquer idioma natural, adaptou-se a novas necessidades, difundiu-se por todo o mundo, surgiu literatura original em Esperanto e foi aproveitado por numerosas organizações internacionais como veículo de divulgação das suas ideias, enfim, mostrou-se um idioma capaz de funcionar como verdadeiro elo de ligação nas relações entre os povos.

Para além de literatura original em Esperanto, com especial destaque para a poesia, encontram-se traduzidas para este idioma as principais obras clássicas da literatura mundial, nomeadamente Os Lusíadas (num primoroso trabalho de um brasileiro), A Divina Comédia, Dom Quixote, a Bíblia, o Alcorão, a Kalevala, entre outras importantes criações literárias.

Apresentado como solução para variadíssimas situações, o Esperanto não tem tido a devida aceitação por parte dos políticos, os quais o têm olhado com estulta e inexplicável desconfiança. Em geral não conhecem a estrutura da língua nem as suas reais vantagens, mas recusam sistematicamente qualquer proposta que lhes seja apresentada para usar o Esperanto nas instituições internacionais, em que se gastam rios de dinheiro nos respetivos trabalhos de tradução e nos complexos serviços de intérpretes. Na União Europeia, por exemplo, com as suas 24 línguas oficiais, são feitas traduções em 552 (24x23) direções diferentes! Tudo isto, ao arrepio de duas inteligentes e oportunas recomendações da UNESCO no sentido de aproveitar as possibilidades do Esperanto nas instâncias internacionais.

Mas não é só a nível da política internacional que se nota esta incompreensível postura. Em Oleiros, microcosmo cultural do interior de Portugal, também há gente erudita, que questiona as vantagens do Esperanto, justamente porque desconhece completamente esta genial criação de Zamenhof, e nem se mostra interessada em inteirar-se do seu funcionamento. De facto, só se pode criticar aquilo que se conhece, ou, como diria Santo Agostinho, “só se ama verdadeiramente o que se conhece”.

 

Comentários

  1. De esperanto nada entendo .mas adoro a reflexão."só se ama verdadeiramente o que se conhece".

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  2. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  3. Concordo com Atilde de Jesus. " Só se ama verdadeiramente o que se conhece".
    O desconhecido causa sempre algum receio e desconforto. Ao mesmo tempo que desperta alguma curiosidade.
    Resta saber qual dos dois vai vender. A curiosidade ou o desconforto. Ou ainda a preguiça.

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  4. O Esperanto é uma criação genial. Com uma gramática simplicíssima, está ao alcance de todos quantos lhe queiram aproveitar as potencialidades. É, pois, espantoso como ainda não foi devidamente aproveitado. José Rebelo

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