A Fonte das Freiras
A
Fonte das Freiras
Na orla da vila de Oleiros existem
várias fontes, das quais a mais conhecida é a Fonte das Freiras.
Construída no ano de 1876,
na vertente sul da colina de Santa Margarida, destinava-se ao abastecimento da
população local. É alimentada por um aquífero de razoável capacidade, que, até
hoje, nunca se esgotou.
A água jorra em permanência
por um tubo de ferro instalado numa parede caiada, edificada em alvenaria, com
cinco metros de altura, de forma triangular no topo. Originalmente apresentava
um remate decorativo de material grauváquico, com cerca de meio metro de
altura, em forma de pirâmide tetragonal truncada, encimada por uma esfera.
Devido ao seu formato, este adorno arquitetónico era popularmente conhecido por
“menina”. Nos anos 50 do século passado ainda se encontrava no topo da parede,
mas tendo estado caído durante algum tempo, acabou por desaparecer. Seria
interessante descobrir o paradeiro daquele enfeite, a fim de o repor no seu
primitivo local.
Lateralmente a fonte
apresentava dois poiais de xisto, que tanto podiam servir de banco como de
mesa. Devido à construção da Estrada Nacional nº 351, a estrutura da fonte foi
alterada, sendo retirado um dos poiais. O acesso é feito por duas escadas
laterais de pedra com seis degraus, por a bica estar a um nível inferior ao do
antigo caminho (agora estrada). Na parede frontal da fonte, na parte superior,
pode ver-se uma pedra lavrada, ligeiramente saliente onde está inscrita a data
da construção. Na parte inferior, do lado esquerdo da bica, existe uma abertura
com porta, que permite a limpeza periódica da nascente.
Antes da construção da
estrada, a água, em escorrência permanente, era armazenada num tanque de
grandes dimensões, para ser aproveitada na rega dos terrenos agrícolas
adjacentes, pertencentes à Casa Grande. Hoje não tem qualquer aproveitamento,
escorrendo livremente para os terrenos envolventes.
Não se sabe quem tomou a
iniciativa da sua construção, mas não é de excluir a hipótese de ter sido o titular
da Casa Grande na altura, o dr. Francisco de Albuquerque Pinto de Mesquita e
Castro.
Quanto à origem do nome de
“Fonte das Freiras”, ela é desconhecida, mas numa placa colocada no local,
integrado no “Trilho do Cabrito” (PR5-OLR), pode ler-se uma lenda, onde se alude
a umas freiras que ali foram protagonistas de uma história do imaginário
popular, que, por ser lenda, perde o seu valor histórico.
No tempo em que prosperavam
as hortas ao longo da levada da Casa Grande, a Fonte das Freiras era muito
procurada, em especial no verão. Era também nesta época do ano que muita gente
da vila vinha à fonte encher uma bilha de água fresca, embora já houvesse água
canalizada ao domicílio. Era igualmente aqui que, nas noites quentes de verão, os
jovens da vila se juntavam para conviver, a pretexto de fazer uns refrescos com água da fonte. Com o desaparecimento da levada devido à construção da estrada acima referida, este local aprazível perdeu
todo o seu elã pitoresco da época estival. Assim, deixou de haver horticultores a circular por ali,
e os jovens arranjaram outras formas de convívio. Mas a fonte lá está, com a
sua água límpida e abundante a jorrar noite e dia.
Como nos tens habituado , a informação e descrição, prima sempre pela experiência.
ResponderEliminarObrigado Alcino